Publicado em: 29 de outubro de 2019


Psoríase: causas, sintomas, tratamento

A psoríase é considerada uma doença autoimune, de ação crônica e inflamatória, e que normalmente afeta a pele, unhas, couro cabeludo, articulações ou mesmo as partes íntimas de quem a possui. As causas da psoríase até hoje não são completamente claras, por isso, especialistas se empenham mundo afora para poder entendê-la em definitivo.

Por ser uma patologia autoimune, ela age confundindo o sistema imunológico, que é ativado por engano, iniciando uma produção em grande quantidade das células da pele. A partir de então, essas células se acumulam em alta velocidade sobre a epiderme, criando relevos, placas (escamas), manchas e inflamações. As tais placas iniciam uma sensação de coceira, além de chegar a provocar dor em muitos casos.

A psoríase pode afetar diversas partes do corpo humano. No entanto, nem todas as pessoas chegam a apresentar os mesmos sintomas da doença. Em algumas situações, a ação pode ser mais branda, com pequenas inflamações espalhadas. Já nos casos mais avançados da doença, as lesões podem se tornar completamente inconvenientes, com o aparecimento de grandes placas esbranquiçadas nas articulações, cotovelos, principalmente na região do couro cabeludo.

Todavia, independente do seu grau de afetação, é importante dizer que ela não é contagiosa e que existem diversos tratamentos disponíveis para a amenização de seus sintomas, com a intenção de torná-los menos agressivos e aparentes.

Fatores que aumentam as chances do aparecimento da psoríase ou a piora seu quadro clínico

Histórico familiar: cerca de 30% a 40% dos pacientes com psoríase têm a doença em seu histórico familiar;
Estresse: indivíduos com altos níveis de estresse geralmente possuem um sistema imunológico debilitado, o que contribui para o aparecimento da doença;
Obesidade: o excesso de peso faz aumentar consideravelmente o risco de desenvolvimento da patologia;
Frio em excesso: o frio tende a tornar a pele mais ressecada, propiciando o seu surgimento;
Portadores do HIV: indivíduos portadores do HIV possuem maiores chances de desenvolver a psoríase;
Bebidas alcóolicas: ao contribuir para a baixa da imunidade, o álcool em excesso também colabora para o surgimento da doença;
Tabagismo: o cigarro não só aumenta as chances de desenvolvimento da psoríase, como também a sua gravidade.

Tipos de psoríase

Psoríase em placas ou vulgar: Costuma ser o tipo mais comum da doença. Placas secas, avermelhadas com escamas prateadas ou esbranquiçadas, geralmente com uma sensação de coceira, podem atingir todas as partes do corpo, inclusive as genitais. Em casos mais graves, a região epidérmica em torno das articulações pode chegar a rachar e sangrar.

Psoríase ungueal: Atinge as unhas das mãos e dos pés. Sua existência colabora para que a unha cresça de forma anormal, podendo engrossar, escamar, descolar do leito ungueal ou mesmo mudar de cor.

Psoríase do couro cabeludo: Uma das mais comuns e que favorece o surgimento de lesões avermelhadas e escamas espessas branco-prateadas na pele, principalmente após coçar. Em muitos casos, pode ser confundida com a caspa.

Psoríase gutata: Normalmente é iniciada a partir de infecções bacterianas, como as de garganta, por exemplo. É conhecida por apresentar pequenas feridas cobertas por uma escama mais fina, diferente das placas comuns da doença, que são mais grossas. Este tipo costuma acometer pessoas de até 30 anos de idade.

Psoríase: causas, sintomas, tratamento
Exemplo de psoríase gutata (foto: reprodução Instagram)

Psoríase invertida: Surge com o aparecimento de manchas inflamadas e vermelhas em regiões úmidas como virilhas, axilas, áreas abaixo dos seios ou em torno das genitais. Quadros de obesidade, atrito e sudorese excessiva podem agravar o quadro.

Psoríase pustulosa: Este tipo tende a apresentar manchas, bolhas ou pústulas (pequenas bolhas com pus) em todo o corpo, ou apenas em mãos, dedos ou pés. A atuação generalizada deste tipo de psoríase pode causar febre, coceira intensa, calafrios e fadiga.

Psoríase eritodérmica: É considerada a forma menos comum da doença. Geralmente acomete o corpo com manchas avermelhadas que podem coçar ou arder de maneira intensa. Ela também pode surgir a partir de queimaduras graves, tratamentos intempestivos, quadro de infecções ou a partir de um controle irregular de algum outro tipo de psoríase.

Psoríase artropática: Além de inflamar e descamar a pele, a psoríase artropática pode chegar a causar dores intensas nas juntas e articulações (pés, mãos, quadris, coluna) e até mesmo deformidades permanentes nesses locais. Sobre sua origem, uma correlação com outro quadro clínico de psoríase não deve ser descartada.

Psoríase no couro cabeludo

Cerca de 50% a 80% dos indivíduos atingidos pela psoríase apresentam lesões e problemas no couro cabeludo. Normalmente, no primeiro momento, os sintomas podem ser confundidos com uma caspa mais intensa, até mesmo porque a dermatite seborreica se encontra no mesmo grupo de doenças que prejudicam a pele, com sintomas bem parecidos e que incluem descamações e coceira.

No entanto, durante a psoríase, as placas costumam ser maiores e bem mais grossas do que uma caspa comum, além de apresentarem uma cor branca-nacarada bastante intensa, chegando a uma coloração prateada em casos mais específicos. Essas placas iniciam um processo de rachadura, podendo sangrar, além de produzir coceira e ardência no local. Devido a isso, os fios podem chegar a cair nas regiões afetadas, principalmente se a pessoa já tiver uma tendência para a calvície.

Como diagnosticar a psoríase?

Antes de tudo, é importante iniciar uma consulta com algum especialista, seja ele dermatologista ou algum profissional da área da tricologia, para poder confirmar se o que você tem é de fato psoríase. Em muitos casos, pessoas podem confundir uma incidência de caspa com psoríase, pois as duas tendem a apresentar sintomas parecidos.

O diagnóstico é feito pelo dermatologista após uma avaliação completa da região afetada, verificando os sintomas apresentados e histórico familiar. Uma biópsia também pode ser solicitada para confirmação do quadro. A partir de então, o profissional poderá indicar qual tratamento será o mais benéfico para o paciente.

Como cuidar da psoríase?

Cada tipo e gravidade de psoríase possui um tratamento mais adequado, ou mesmo uma combinação de terapias. Na verdade, tudo irá depender da necessidade de cada paciente, pois o tratamento da psoríase é feito de maneira individual.

O tratamento básico para a psoríase requer, acima de tudo, uma qualidade de vida equilibrada. Em casos mais leves, apenas a hidratação da pele e aplicação de medicamentos tópicos nas regiões afetadas, além da exposição diária ao sol em horários adequados, podem ser suficientes para a melhora dos sintomas.

Já em casos moderados, quando os procedimentos e orientações acima não são suficientes, um tratamento de fototerapia, com exposição à luz ultravioleta A ou ultravioleta B em cabines pode ser uma opção. Essa modalidade terapêutica consiste na adequação de medicamentos que aumentam o nível de sensibilidade da pele à luz irradiada.

Tratamentos mais comuns:

Tratamento tópico: medicamentos em cremes e pomadas aplicados diretamente na lesão;
Tratamento sistêmico: medicamentos em injeções ou comprimidos, geralmente aconselhados para pacientes com grau de psoríase de moderada a grave;
Tratamentos biológicos: medicamentos injetáveis, indicados para tratar pacientes que sofrem de psoríase com um grau também de moderado a grave;
Fototerapia: exposição da pele à luz ultravioleta.

Tratamento para psoríase no couro cabeludo

O tratamento para psoríase no couro cabeludo irá depender de diversos fatores, e isso inclui a presença de lesões e outros condicionantes (gravidade). Shampoos à base de alcatrão, ácido salicílico ou propionato de clobetasol, além de medicamentos de aplicação direta, podem ser orientados pelo médico logo no início do diagnóstico. Jamais use-os sem orientação médica.

Ao lavar os cabelos, nada de água quente, sempre prefira tomar banho com água em temperatura normal, ou seja, nem quente nem muito fria. Tomar sol regularmente também pode ajudar a aliviar os sintomas. Evite mexer ou cutucar as feridas e descamações da pele, pois isso só irá piorar o quadro clínico.

Psoríase tem cura?

A psoríase é caracterizada como uma doença crônica de natureza tratável. No entanto, ela ainda não possui uma cura definitiva, apenas tratamentos para o controle dos sintomas, que podem desaparecer por um tempo e retornar logo em seguida, ou seja, um quadro alternável.

No mais, é importante ressaltar que o acompanhamento clínico da psoríase será contínuo, ou seja, você não irá resolver o seu problema em apenas uma consulta. Por isso a necessidade de manter uma boa qualidade de vida, além de um acompanhamento dermatológico em dia. Neste ponto, um bom plano de saúde pode ser uma mão na roda.

Seguindo essas orientações e os tratamentos indicados pelo médico, o paciente poderá ter um convívio muito mais harmônico com sua nova condição.

Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia

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